top of page

A crise climática e a violência sexual e de gênero: Por que devemos nos preocupar?

  • há 7 dias
  • 2 min de leitura



Há muitas preocupações que devemos encarar quando o assunto é a crise climática, contudo há muitas delas que são esquecidas, apagadas, pouco discutidas ou comentadas, isso também faz parte de um projeto político, seja ele para o bem ou para o mal.”




Na 30ª Conferência da Partes da Organização das Nações Unidas (COP30), dentre tantos debates importantes na busca em fortalecer o multilateralismo para que mais países apresentem metas climáticas mais ambiciosas e possíveis, acelerar a transição energética para uma economia de baixo carbono de forma justa e aproximar a pauta climática da vida das pessoas por meio de soluções e justiça climática, infelizmente, diversas pautas ainda carecem de atenção, dentre elas os direitos de minorias sexuais e de gênero.


Desde 2012, na COP 18, em Doha, Catar, a discussão sobre a integração da perspectiva de gênero nas políticas e ações climáticas ganhou um espaço formal e recorrente nas negociações. No mesmo ano, também ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20, no Rio de Janeiro, Brasil. Nelas, a equidade de gênero e o empoderamento das mulheres foram temas importantes discutidos no âmbito do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza nesta conferência.


Entretanto, mesmo com esse histórico, nota-se ainda uma discussão de gênero baseada na cisheteronormatividade e na paridade de gêneros que vivem e ecoam no “cistema” binário, além de poucas reflexos sobre violências que minorias sexuais e de gênero enfrentam e podem se acentuar com a crise e desastres climáticos.


A partir disso, o Núcleo de Pesquisa do Instituto COJOVEM tem feito um trabalho importante no levantamento e análise de problemáticas sociais voltadas a compreender como a crise climática pode influenciar em seus índices. Diante disso, nossas pesquisas apontam que a violência sexual e de gênero são graves problemas de saúde pública e o Brasil possui dados alarmantes, e a crise climática é algo que corrobora com suas altas taxas em todo mundo.


Dentre os resultados de uma de nossas pesquisas apresentadas no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da ABRASCO, eventos climáticos extremos levam a grandes deslocamentos, busca de refúgio, perda de familiares e/ou do ciclo familiar, problemas de saúde e vulnerabilidade socioeconômica que são associados ao aumento das formas de violência sexual e de gênero, frequentemente relacionados à instabilidade econômica, insegurança alimentar, estresse mental, infraestrutura prejudicada, maior exposição a homens, tradição e desigualdade de gênero exacerbada. 


Além disso, contribuem para a interrupção de serviços e ações de saúde sexual e reprodutiva, o que potencialmente leva ao aumento de gravidezes indesejadas e mortalidade materna, infecções sexualmente transmissíveis e dificuldade de acessar espaços de denúncias. 


Infelizmente, vemos que o cenário atual aponta que a crise climática tende a se potencializar nos próximos anos, por isso, para combater a problemática da violência sexual e de gênero, é importante a criação de políticas de combate com olhar interseccional, visto que “gênero, idade, raça, status econômico, educação e outras características sociais” determinam a vulnerabilidade e a capacidade de adaptação de cada indivíduo às mudanças climáticas e eventos relacionados ao clima. Essas descobertas e iniciativas são importantes para intervenções, políticas e implementação de ações para ampliar a resiliência antes, durante e após eventos climáticos.


 
 
bottom of page